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Irã com armas nucleares alarma os árabes. |
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Enquanto o Ocidente aumenta a pressão sobre o Irã devido ao seu programa nuclear, os governos árabes, especialmente os pequenos países ricos em petróleo do Golfo Pérsico, estão cada vez mais ansiosos. Mas eles estão preocupados não apenas com a perspectiva de um Irã com armas nucleares, mas também com a ameaça mais imediata de que o Irã possa desestabilizar a região caso o Ocidente pressione demais, segundo diplomatas, analistas regionais e ex-autoridades de governo.
Na quinta-feira, o Irá se reunirá com seis potências mundiais para discutir uma série de questões, naquela que será a primeira negociação direta entre Washington e Teerã desde a revolução iraniana de 1979. O Irã pode parecer entrar nas discussões enfraquecido pela amarga disputa política interna e pela recente revelação de uma segunda instalação nuclear, secreta, perto de Qum.  A televisão iraniana noticiou na segunda-feira (28) que o país testou mísseis de longo alcance Shahab-3. Os foguetes têm alcance de cerca de 2.000 quilômetros, podendo atingir, em tese, Israel e bases americanas no Oriente Médio Mas em vez de demonstrar contrição, o Irã realizou teste de mísseis -um exemplo do tipo de comportamento que causa apreensão entre alguns de seus vizinhos árabes. A causa e efeito do conflito entre o Irã e o Ocidente nunca são sentidos em Washington e Londres, mas sim aqui, no Oriente Médio, onde o Irã conta com aliados como o Hizbollah, no Líbano, e o Hamas, em Gaza.
"Se o Ocidente colocar pressão sobre o Irã, independente das consequências dessa pressão, pressão adicional, pressão crescente, você acha que os iranianos irão retaliar ou ficarão sem tomar atitude, aguardando por seu destino cair sobre suas cabeças?" disse o embaixador Hossam Zaki, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Egito. "A resposta mais provável é que retaliarão. Onde você acha que eles retaliarão?"
Entre os vizinhos do Irã no Golfo Pérsico há uma crescente resignação de que o Irã não pode ser impedido de desenvolver armas nucleares, apesar do Irã dizer que seu programa nuclear é para fins pacíficos. Alguns analistas previram que uma corrida armamentista regional terá início e que Estados vulneráveis, como Bahrein, podem ser encorajados a convidar potências nucleares a instalarem suas armas em seus territórios como dissuasão. Os Estados Unidos já contam com uma base da Marinha em Manama, a capital do Bahrein.
"Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear", disse Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos. "É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", por exemplo, o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"Israel pode iniciar o ataque, mas não pode sustentá-lo; os Estados Unidos podem iniciar e sustentar", disse Abdulaziz Sager, um empresário saudita e ex-diplomata que é presidente do Centro de Pesquisa do Golfo, nos Emirados Árabes Unidos. "A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
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